História e Cultura

Ir ao Passeio Público é adentrar um portal de memórias e energias de Fortaleza

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O Passeio Público é considerado a primeira praça de Fortaleza.
Foto: Igor de Melo Foto: Igor de Melo
Por Gabi Dourado

Ao redor é uma zuada danada, daquelas típicas dos centros de grandes cidades. Buzina de carro, ônibus e moto, a voz do ambulante vendendo seu ganha pão, as portas e portões que abrem e fecham, o riso alto de amigos que se encontram, o sol queimando o juízo. Porém, há uma espécie de portal que leva para uma praça arborizada, fresquinha e silenciosa – ou com, no máximo, uma boa música instrumental. É o Passeio Público, a primeira praça de Fortaleza, localizada ao lado da Santa Casa e bem pertinho do Forte. 

O Passeio ou Praça dos Mártires já viu muita história acontecer. Considerado o primeiro parque urbano de Fortaleza, o Passeio Público nasceu em 1880 e passou por diversas transformações ao longo dos anos. Uma das histórias marcantes do Passeio Público é sobre os mártires da Confederação do Equador, um movimento revolucionário ocorrido em 1824, que tinha como objetivo a independência do Nordeste do Brasil. Após o fracasso da revolta, diversos líderes foram presos e levados para o Passeio Público, onde foram fuzilados. Em homenagem a eles, foi construído um monumento no centro da praça.

O episódio dos líderes da Confederação do Equador no Passeio Público é um dos mais marcantes da história de Fortaleza e do Nordeste do Brasil. É lembrado como um momento de luta pela liberdade e independência da região, e os mártires são considerados heróis que deram suas vidas por uma causa nobre.

E aí mora um dos diversos encantamentos do Passeio Público. Reerguer-se como um espaço de lazer, de cultura e de contemplação das belezas naturais, sem esquecer a própria história. Há 13 anos lá funciona o Café Passeio, um cantinho aconchegante para almoçar diariamente.  

Há ainda um programa imperdível ao chegar no Passeio: abraçar o imenso baobá lá plantado. O baobá, também conhecido como “árvore da vida”, é uma espécie originária da África e pode viver por centenas de anos – o nosso, dizem, foi plantado no final do século XVIII ou início do século XIX.

O Baobá, também conhecido como "árvore da vida", é uma espécie originária da África e pode viver por centenas de anos.
Foto: Francisco Fontenele

Foi considerado um símbolo da resistência africana durante o período da escravidão, pois muitos africanos eram trazidos para o Brasil e carregavam sementes de baobá em suas bagagens. Essas sementes eram plantadas em solo brasileiro, e a árvore se tornou um símbolo de resistência cultural e religiosa.

No Passeio Público de Fortaleza, o baobá tornou-se um marco histórico e cultural da cidade. Ele tem mais de 30 metros de altura e sua copa possui uma extensão de cerca de 50 metros. A árvore é um ponto de encontro e também de memória. Por lá, em suas raízes, estão as cinzas do mestre Gilmar de Carvalho. O professor, jornalista e escritor almoçava todos os dias no Café Passeio, fazendo daquela praça uma extensão de seus pensamentos. É também em sua homenagem que hoje o restaurante leva o nome de “Espaço Gilmar de Carvalho”

Conhecer e reconhecer as histórias já vividas naquele espaço, sentir pausar o tempo com o frescor das árvores, saborear um tempero caseiro. Pisar no Passeio Público é uma experiência muito particular em Fortaleza, é um espaço que guarda a história da cidade, com uma beleza natural e arquitetônica que encanta turistas e moradores da cidade. É uma prova da importância de preservar o patrimônio cultural e histórico para as gerações futuras.

 

 

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